Ave com diarreia: principais causas e sinais de alerta
Neste artigo
- Como são as fezes normais de uma ave?
- Toda alteração líquida é diarreia?
- Quais são as principais causas de diarreia em aves?
- Mudanças na alimentação
- Estresse
- Infecções bacterianas
- Infecções virais
- Fungos e leveduras
- Parasitas intestinais
- Intoxicações
- Doenças no fígado
- Doenças renais
- Problemas no sistema digestivo
- Medicamentos e desequilíbrio da microbiota
- Como observar corretamente as fezes?
- Quais características das fezes são preocupantes?
- Quais sinais de alerta podem acompanhar a diarreia?
- Quando a situação é uma emergência?
- O que fazer quando a ave está com diarreia?
- O que não fazer?
- Como transportar uma ave doente?
- Como o veterinário investiga a diarreia?
- A diarreia pode passar para outras aves ou pessoas?
- Como prevenir alterações digestivas?
- Afinal, quando devo me preocupar?
- Cuide da saúde digestiva da sua ave
- FAQ: dúvidas frequentes sobre ave com diarreia
Encontrar fezes mais líquidas no fundo da gaiola costuma preocupar qualquer tutor. Embora uma alteração isolada possa acontecer após o consumo de alimentos ricos em água ou durante uma situação de estresse, mudanças persistentes nas fezes de uma ave não devem ser ignoradas.
A chamada “diarreia” pode estar relacionada a problemas alimentares, parasitas, infecções, intoxicações e doenças que afetam o intestino, o fígado, os rins ou outros órgãos. Porém, nem toda sujeira aguada no fundo da gaiola representa uma diarreia verdadeira.
Nas aves, fezes, uratos e urina são eliminados juntos pela cloaca. Por isso, primeiro é importante observar qual componente da excreção está alterado.
Como as aves costumam esconder sinais de fraqueza, uma mudança nas fezes pode ser uma das primeiras manifestações visíveis de doença. A avaliação precoce é especialmente importante quando existem alterações no comportamento, no apetite ou na respiração.
Como são as fezes normais de uma ave?
As características variam conforme a espécie, a alimentação, a quantidade de água ingerida e o horário do dia. Mesmo assim, uma eliminação normal geralmente apresenta três partes:
- Fezes: porção sólida ou pastosa, normalmente verde, marrom ou em tonalidade influenciada pela alimentação.
- Uratos: parte branca ou esbranquiçada, formada por resíduos eliminados pelos rins.
- Urina: pequena quantidade de líquido transparente ao redor das outras porções.
A coloração das fezes pode mudar temporariamente depois do consumo de determinados vegetais, frutas ou rações pigmentadas. A quantidade também pode variar. A primeira eliminação da manhã ou a produzida por uma fêmea que permaneceu no ninho, por exemplo, pode ser maior.
O que merece atenção é uma alteração que persiste, não possui relação clara com a alimentação ou aparece acompanhada de outros sintomas.
Toda alteração líquida é diarreia?
Não. Essa é uma das principais dúvidas entre tutores de aves.
Diarreia verdadeira
Na diarreia, a própria porção fecal perde sua forma. Ela fica amolecida, pastosa ou praticamente líquida e pode se misturar às outras partes.
Dependendo da causa, também podem aparecer:
- mudança acentuada de cor;
- muco;
- odor diferente;
- bolhas;
- alimento não digerido;
- sangue;
- aumento ou redução da quantidade de fezes;
- sujeira nas penas ao redor da cloaca.
Poliúria
Na poliúria, a porção fecal continua relativamente formada, mas existe uma quantidade maior de líquido transparente ao redor dela.
Isso pode acontecer temporariamente depois que a ave:
- bebe muita água;
- consome frutas ou vegetais ricos em líquidos;
- passa por um momento de estresse;
- fica muito agitada;
- enfrenta temperaturas ambientais elevadas.
Entretanto, a poliúria persistente também pode estar relacionada a doenças renais, hepáticas, metabólicas, infecciosas ou tóxicas.
De acordo com a VCA Animal Hospitals, a diarreia verdadeira altera a consistência da porção fecal, enquanto o aumento apenas da parte líquida é classificado como poliúria. Essa diferença ajuda a orientar a investigação, mas não substitui o exame veterinário.
Quais são as principais causas de diarreia em aves?
A diarreia é um sinal clínico, e não uma doença específica. Existem diversas possibilidades, desde mudanças simples na alimentação até doenças potencialmente graves.
Mudanças na alimentação
Alterações repentinas na dieta podem modificar a consistência, o volume e a coloração das fezes.
Isso pode acontecer após:
- introdução rápida de uma nova ração;
- aumento repentino no consumo de frutas;
- oferta excessiva de alimentos ricos em água;
- ingestão de alimentos inadequados;
- consumo de comida estragada;
- acesso a restos de alimentos humanos;
- desequilíbrio nutricional;
- contaminação da água ou dos comedouros.
Frutas e vegetais com muita água normalmente provocam aumento da urina, e não necessariamente diarreia. Se a porção sólida continua formada, pode se tratar de uma poliúria alimentar passageira.
A alteração deve diminuir quando o organismo processa o alimento. Se persistir, piorar ou estiver acompanhada de outros sinais, não presuma que a causa seja apenas a dieta.
Estresse
Mudanças no ambiente podem aumentar temporariamente a quantidade de líquido eliminado.
Entre os possíveis fatores estão:
- transporte;
- troca de gaiola;
- mudança de residência;
- chegada de outro animal;
- barulhos intensos;
- manipulação excessiva;
- alterações na rotina;
- consulta veterinária;
- presença de pessoas desconhecidas;
- falta de local adequado para descanso.
A excreção tende a voltar ao padrão depois que a ave se acalma. Uma alteração persistente não deve ser atribuída somente ao estresse, especialmente se o animal estiver quieto, arrepiado ou sem comer.
Infecções bacterianas
Algumas bactérias podem afetar o sistema digestivo e provocar fezes amolecidas, perda de apetite, prostração e emagrecimento.
A contaminação pode estar relacionada a:
- água ou alimentos contaminados;
- higiene inadequada;
- contato com aves doentes;
- entrada de uma nova ave sem quarentena;
- utensílios compartilhados;
- contato com fezes contaminadas;
- acesso a animais silvestres ou suas excreções.
Nem toda bactéria encontrada em um exame significa que ela seja a causa do problema. O veterinário precisa interpretar os resultados junto com o histórico, a espécie e os sintomas.
Antibióticos não devem ser oferecidos por conta própria. O uso inadequado pode desequilibrar a microbiota intestinal, mascarar a doença, causar efeitos adversos e favorecer a resistência bacteriana.
Infecções virais
Diferentes vírus podem provocar alterações digestivas, embora os sintomas variem conforme a espécie e o agente envolvido.
Além das mudanças nas fezes, podem ocorrer:
- redução do apetite;
- perda de peso;
- regurgitação;
- penas arrepiadas;
- fraqueza;
- alterações neurológicas;
- dificuldade para digerir alimentos;
- presença de sementes inteiras nas fezes;
- alterações respiratórias.
A presença de alimento não digerido merece atenção. Ela pode indicar que o alimento está atravessando o sistema digestivo sem ser processado corretamente.
Fungos e leveduras
O crescimento excessivo de fungos ou leveduras no sistema digestivo pode acontecer em determinadas condições, principalmente quando existe desequilíbrio da microbiota, baixa imunidade, alimentação inadequada ou uso incorreto de medicamentos.
A ave pode apresentar:
- diarreia;
- regurgitação;
- redução do apetite;
- perda de peso;
- dificuldade para esvaziar o papo;
- placas ou alterações na boca;
- prostração.
O diagnóstico não deve ser feito apenas pela aparência das fezes. Exames específicos podem ser necessários para identificar o microrganismo envolvido.
Parasitas intestinais
Protozoários e outros parasitas podem causar inflamação intestinal, má absorção de nutrientes e alteração nas fezes.
Um exemplo é a giardíase, que pode provocar diarreia, perda de peso e dificuldade para aproveitar os nutrientes da alimentação. Algumas aves infectadas, no entanto, podem apresentar poucos sinais aparentes.
Segundo o Manual Veterinário MSD, a infecção por Giardia pode causar diarreia, má digestão, desnutrição e emagrecimento em aves.
Os parasitas não podem ser identificados com segurança apenas observando as fezes. Dependendo do agente, pode ser necessário analisar mais de uma amostra, pois a eliminação de ovos, cistos ou oocistos pode acontecer de forma intermitente.
Não administre vermífugos preventivamente sem orientação. O medicamento, a dose e o período de tratamento dependem da espécie da ave, do seu peso e do parasita identificado.
Intoxicações
A ingestão ou inalação de substâncias tóxicas pode provocar diarreia ou poliúria, além de sintomas neurológicos, respiratórios e digestivos.
Alguns riscos domésticos incluem:
- metais presentes em objetos, brinquedos e estruturas inadequadas;
- tintas e materiais com chumbo;
- peças galvanizadas;
- produtos de limpeza;
- inseticidas;
- medicamentos humanos;
- plantas tóxicas;
- alimentos impróprios;
- fumaça;
- vapores químicos;
- objetos que podem ser mastigados ou ingeridos.
A intoxicação por metais, por exemplo, pode provocar alterações nas fezes, regurgitação, fraqueza, perda de equilíbrio e mudanças de comportamento.
Se houver suspeita de contato com uma substância tóxica, retire a ave do local sem se expor ao produto e procure atendimento veterinário imediatamente. Não tente provocar vômito e não ofereça receitas caseiras.
Doenças no fígado
O fígado participa da digestão e do metabolismo de diferentes substâncias. Quando existe uma doença hepática, as fezes e os uratos podem apresentar mudanças.
Entre os possíveis sinais estão:
- fezes amolecidas;
- uratos amarelados ou esverdeados;
- aumento do volume de líquido;
- perda de apetite;
- emagrecimento;
- regurgitação;
- aumento abdominal;
- dificuldade respiratória;
- penas com aparência inadequada;
- crescimento excessivo ou alteração no formato do bico e das unhas.
Esses sinais não confirmam uma doença hepática. Exames de sangue e de imagem são necessários para avaliar o órgão.
Doenças renais
Problemas nos rins podem aumentar a quantidade de urina eliminada, criando a impressão de diarreia.
A ave pode apresentar:
- grande volume de líquido ao redor das fezes;
- aumento da ingestão de água;
- perda de peso;
- redução do apetite;
- fraqueza;
- dificuldade para se manter no poleiro;
- alterações nas articulações;
- aumento abdominal;
- respiração difícil.
A poliúria persistente precisa ser investigada mesmo quando a parte fecal permanece formada. A VCA aponta o excesso de líquido ao redor da porção fecal como um dos possíveis sinais de doença renal em aves.
Problemas no sistema digestivo
Inflamações, alterações na motilidade, corpos estranhos, obstruções e outras doenças do sistema digestivo podem modificar as fezes.
Observe a presença de:
- alimento não digerido;
- redução da quantidade de fezes;
- esforço para defecar;
- regurgitação;
- abdômen aumentado;
- postura incomum;
- desconforto;
- perda de peso apesar de a ave aparentar comer;
- sujeira constante ao redor da cloaca.
A ingestão de fibras de tecido, plástico, borracha, madeira tratada, partes de brinquedos e outros materiais pode causar complicações importantes.
Medicamentos e desequilíbrio da microbiota
Alguns medicamentos podem alterar o sistema digestivo ou a quantidade de água eliminada. Isso pode acontecer especialmente quando antibióticos, suplementos ou outros produtos são administrados sem prescrição.
Se a alteração começou durante um tratamento, entre em contato com o veterinário responsável. Não interrompa nem modifique a dose por conta própria, a menos que exista uma orientação profissional.
Como observar corretamente as fezes?
O fundo da gaiola fornece informações importantes sobre a saúde da ave.
Para acompanhar as alterações:
- Coloque papel branco e limpo no fundo da gaiola.
- Evite materiais que absorvam completamente o líquido.
- Observe a forma, a cor e a quantidade das três partes da excreção.
- Compare várias eliminações, não apenas uma.
- Fotografe as alterações com boa iluminação.
- Anote os alimentos consumidos nas horas anteriores.
- Registre mudanças no comportamento e no apetite.
- Observe se existem sementes ou outros alimentos não digeridos.
- Confira se as penas ao redor da cloaca estão sujas.
- Procure o veterinário se a alteração persistir ou vier acompanhada de outros sintomas.
O papel deve ser trocado diariamente para facilitar a observação e evitar o acúmulo de materiais contaminados.
Quais características das fezes são preocupantes?
Procure avaliação veterinária quando perceber:
- porção fecal sem forma repetidamente;
- grande aumento da quantidade de líquido sem explicação alimentar;
- presença de sangue;
- fezes muito escuras ou com aspecto incomum;
- uratos amarelos ou verdes;
- alimento não digerido;
- excesso de muco;
- bolhas recorrentes;
- cheiro muito diferente;
- redução acentuada na quantidade de fezes;
- esforço para defecar;
- penas sujas ao redor da cloaca;
- mudança persistente na frequência ou no volume das eliminações.
A alimentação pode modificar temporariamente algumas cores. Beterraba e frutas intensamente pigmentadas, por exemplo, podem interferir na aparência. Ainda assim, nunca presuma que uma coloração avermelhada seja somente alimento quando existir possibilidade de sangue.
Quais sinais de alerta podem acompanhar a diarreia?
A alteração nas fezes se torna mais preocupante quando aparece junto com:
- ave quieta ou menos responsiva;
- penas constantemente arrepiadas;
- permanência no fundo da gaiola;
- dificuldade para se equilibrar;
- olhos parcialmente fechados;
- redução ou ausência de apetite;
- perda de peso;
- fraqueza;
- tremores;
- regurgitação;
- dificuldade para respirar;
- respiração com o bico aberto;
- movimento acentuado da cauda ao respirar;
- secreções nos olhos ou nas narinas;
- aumento abdominal;
- redução das vocalizações;
- mudanças bruscas de comportamento;
- diminuição na quantidade de fezes;
- sinais neurológicos.
As aves podem disfarçar doenças durante algum tempo. Quando ficam paradas, arrepiadas ou no fundo da gaiola, o problema pode estar mais avançado do que parece. O Manual Veterinário MSD destaca que pequenas mudanças no comportamento e nas eliminações podem ser sinais importantes, justamente porque as aves frequentemente ocultam sintomas de doença.
Quando a situação é uma emergência?
Procure atendimento veterinário imediatamente se a ave apresentar:
- dificuldade para respirar;
- permanência no fundo da gaiola sem conseguir subir;
- incapacidade de se manter no poleiro;
- fraqueza intensa;
- ausência de reação;
- sangramento;
- regurgitações repetidas;
- convulsões ou perda de coordenação;
- abdômen muito aumentado;
- esforço intenso para defecar ou colocar ovos;
- tecido exteriorizado pela cloaca;
- suspeita de intoxicação;
- contato com metal, produto químico ou planta tóxica;
- redução importante do consumo de alimento;
- piora rápida em poucas horas;
- diarreia intensa em filhotes.
Filhotes, aves idosas, animais abaixo do peso e aves com doenças anteriores podem se desidratar e perder condição corporal mais rapidamente.
O que fazer quando a ave está com diarreia?
Enquanto organiza o atendimento veterinário, algumas medidas seguras podem ajudar:
- mantenha a ave em um ambiente calmo;
- evite manipulações desnecessárias;
- proteja-a de correntes de ar e mudanças bruscas de temperatura;
- mantenha água limpa e acessível;
- preserve a alimentação habitual até receber orientação;
- remova alimentos estragados ou contaminados;
- higienize comedouros e bebedouros;
- fotografe as fezes;
- registre o que a ave comeu;
- acompanhe a quantidade de alimento consumida;
- pese a ave, se isso puder ser feito sem causar estresse;
- separe-a de outras aves quando houver suspeita de doença transmissível;
- leve uma amostra recente das fezes, caso a clínica oriente.
Se houver mais de uma ave, utilize recipientes e utensílios separados. Lave as mãos depois de manipular o animal, a gaiola ou objetos contaminados.
Não altere excessivamente o ambiente nem aumente a temperatura de maneira indiscriminada. Superaquecimento também pode causar desidratação e piorar o quadro.
O que não fazer?
Evite tratamentos improvisados, mesmo que a alteração pareça leve.
Não é recomendado:
- oferecer medicamentos humanos;
- utilizar antibióticos por conta própria;
- administrar vermífugos sem diagnóstico;
- usar antidiarreicos destinados a cães ou pessoas;
- colocar remédios na água sem prescrição;
- oferecer carvão ativado sem orientação;
- forçar água diretamente no bico;
- alimentar a ave à força;
- trocar completamente a dieta;
- retirar todo o alimento para “descansar o intestino”;
- oferecer chás ou receitas caseiras;
- utilizar suplementos em excesso;
- esperar vários dias quando existem outros sintomas.
Colocar medicamentos na água é especialmente arriscado porque não é possível garantir quanto a ave ingeriu. Além disso, animais doentes frequentemente bebem menos, fazendo com que recebam uma quantidade imprevisível do produto.
A alimentação forçada também pode causar aspiração e outros problemas. Quando o suporte nutricional é necessário, ele deve ser planejado por um veterinário de acordo com a espécie e o estado clínico.
Como transportar uma ave doente?
Utilize uma caixa de transporte segura, ventilada e compatível com o tamanho do animal.
Durante o transporte:
- reduza estímulos visuais e barulhos;
- evite correntes de ar;
- mantenha temperatura confortável;
- coloque uma superfície firme e antiderrapante;
- retire poleiros altos se a ave estiver fraca;
- não coloque recipientes pesados que possam se deslocar;
- não pressione o peito da ave ao manipulá-la;
- leve fotografias das fezes e informações sobre a alimentação.
Se existir dificuldade respiratória, manipule o mínimo possível e avise a clínica antes de chegar.
Como o veterinário investiga a diarreia?
A investigação começa pelo histórico, pela observação da ave e pelo exame físico.
O veterinário poderá perguntar:
- qual é a espécie e a idade da ave;
- há quanto tempo as fezes estão alteradas;
- qual é a alimentação habitual;
- se houve introdução de novos alimentos;
- se a ave está comendo e bebendo;
- se houve perda de peso;
- se existem outras aves na residência;
- se chegou algum animal novo;
- como é feita a limpeza da gaiola;
- se houve contato com produtos químicos;
- se a ave mastiga objetos metálicos;
- quais medicamentos ou suplementos utiliza;
- se existem alterações respiratórias ou neurológicas;
- como estão a frequência e o volume das fezes.
Dependendo do quadro, poderão ser indicados:
- avaliação microscópica das fezes;
- pesquisa de parasitas;
- coloração específica das amostras;
- cultura bacteriana ou fúngica;
- testes moleculares;
- hemograma;
- exames bioquímicos;
- radiografias;
- ultrassonografia;
- testes para doenças infecciosas;
- investigação de metais ou outras toxinas.
Alterações semelhantes podem ter causas muito diferentes. Por isso, o tratamento adequado depende dos resultados da avaliação e dos exames.
A diarreia pode passar para outras aves ou pessoas?
Algumas causas podem ser transmissíveis. Isso não significa que toda ave com diarreia possua uma zoonose, mas os cuidados de higiene são importantes até que a origem seja esclarecida.
O CDC recomenda lavar bem as mãos depois de tocar nas aves, nas fezes, na gaiola, nos brinquedos e nos recipientes de alimento ou água.
Também é importante:
- não limpar comedouros na pia onde alimentos humanos são preparados;
- impedir que crianças manipulem fezes;
- utilizar utensílios exclusivos para a gaiola;
- remover as fezes regularmente;
- evitar levantar poeira durante a limpeza;
- não compartilhar acessórios entre aves;
- manter animais novos em quarentena;
- procurar atendimento médico se alguém da residência adoecer após contato com uma ave doente.
Pessoas com imunidade comprometida, crianças pequenas, idosos e gestantes devem ter cuidados adicionais e evitar contato direto com as eliminações.
Como prevenir alterações digestivas?
Algumas doenças não podem ser completamente evitadas, mas o manejo adequado reduz os riscos.
Entre os principais cuidados estão:
- oferecer alimentação apropriada para a espécie;
- realizar mudanças na dieta gradualmente;
- lavar frutas e vegetais;
- retirar alimentos frescos antes que estraguem;
- trocar a água diariamente;
- higienizar comedouros e bebedouros;
- impedir acesso a alimentos humanos inadequados;
- utilizar brinquedos e estruturas seguros;
- evitar metais e materiais potencialmente tóxicos;
- manter produtos químicos longe da ave;
- limpar regularmente o fundo da gaiola;
- evitar superlotação;
- manter novas aves em quarentena;
- não compartilhar utensílios sem higienização;
- realizar consultas preventivas;
- acompanhar o peso;
- observar diariamente o apetite, o comportamento e as fezes.
Mudanças discretas são mais fáceis de identificar quando o tutor conhece o padrão normal da sua ave.
Afinal, quando devo me preocupar?
Uma eliminação mais líquida depois do consumo de frutas ou de uma situação estressante pode ser passageira, principalmente quando a parte fecal continua formada e a ave permanece ativa.
A situação precisa de avaliação quando:
- a porção fecal está realmente desmanchada;
- a alteração se repete;
- não existe relação clara com a alimentação;
- a ave apresenta menos apetite;
- ocorre perda de peso;
- existem alimentos inteiros nas fezes;
- os uratos mudam de cor;
- aparece sangue;
- as penas ao redor da cloaca ficam sujas;
- a ave se mostra quieta, arrepiada ou fraca;
- existem sintomas respiratórios, digestivos ou neurológicos.
Em aves pequenas ou já debilitadas, não é prudente esperar vários dias para observar a evolução. A perda de líquidos e a redução da alimentação podem comprometer rapidamente o estado geral.
Cuide da saúde digestiva da sua ave
Se as fezes da sua ave mudaram de consistência, volume ou coloração, observe também o apetite e o comportamento. Alterações persistentes ou acompanhadas de prostração, perda de peso, regurgitação ou dificuldade respiratória precisam ser avaliadas rapidamente.
A equipe da Clínica Veterinária Bicho Diferente pode examinar a ave, analisar seu histórico alimentar e realizar os testes necessários para diferenciar diarreia, poliúria e outras alterações de saúde. Entre em contato e agende uma avaliação especializada.
FAQ: dúvidas frequentes sobre ave com diarreia
Frutas podem causar diarreia em aves?
Frutas ricas em água normalmente aumentam a quantidade de urina eliminada. Se a parte fecal continua formada, provavelmente se trata de poliúria, e não de diarreia verdadeira. Alterações persistentes precisam ser investigadas.
Posso dar vermífugo para uma ave com diarreia?
Não sem orientação veterinária. Parasitas são apenas uma das possíveis causas, e o medicamento deve ser escolhido conforme a espécie da ave, seu peso e o agente identificado.
Ave com diarreia pode tomar antibiótico?
Somente quando prescrito pelo veterinário. Nem toda diarreia é bacteriana, e o antibiótico inadequado pode alterar a microbiota, provocar efeitos adversos e dificultar o diagnóstico.
Devo suspender frutas e verduras?
Não faça mudanças bruscas na alimentação. Registre o que foi oferecido e procure orientação. Se a alteração começou logo depois de uma quantidade incomum de alimento rico em água, essa informação ajudará o veterinário a diferenciar poliúria de diarreia.
Fezes verdes significam doença?
Nem sempre. A dieta pode influenciar a coloração. Entretanto, fezes muito verdes também podem aparecer quando a ave está comendo pouco ou apresenta determinadas doenças. É necessário avaliar a consistência, os uratos, o apetite e os demais sintomas.
Ave com sementes inteiras nas fezes é normal?
Não. Alimentos inteiros ou mal digeridos podem indicar alterações no sistema digestivo e devem ser avaliados, principalmente quando existem perda de peso, regurgitação ou fraqueza.
Posso esperar 24 horas para procurar o veterinário?
Uma alteração isolada em uma ave ativa e que continua comendo pode ser observada atentamente por um curto período. Porém, não espere se houver sangue, fraqueza, falta de apetite, dificuldade respiratória, regurgitação, perda de equilíbrio ou piora rápida.
Preciso levar uma amostra das fezes?
Uma amostra recente pode ser útil, mas confirme previamente como a clínica recomenda coletá-la e transportá-la. Fotografias do fundo da gaiola antes da limpeza também ajudam a demonstrar a evolução.