Cachorro com mau hálito: quando pode indicar problema de saúde?

Publicado em 14 de julho de 2026 · Tempo de leitura: 20min
Neste artigo
  1. Mau hálito em cachorro é normal?
  2. Qual é a causa mais comum de mau hálito em cachorro?
  3. Quais sinais indicam doença periodontal?
  4. Tártaro e doença periodontal são a mesma coisa?
  5. Cachorro jovem pode ter mau hálito?
  6. Raças pequenas apresentam mais problemas dentários?
  7. O mau hálito pode ser causado por um dente quebrado?
  8. Objetos presos na boca podem causar mau hálito?
  9. Feridas e inflamações na boca também alteram o hálito?
  10. Tumores na boca podem provocar mau hálito?
  11. Mau hálito pode indicar doença nos rins?
  12. Diabetes pode alterar o hálito do cachorro?
  13. Doenças no fígado podem causar mau hálito?
  14. O cheiro do hálito revela qual é a doença?
  15. Mau hálito vem do estômago?
  16. Comer fezes causa mau hálito?
  17. O que o veterinário avalia?
  18. Por que a limpeza dentária veterinária utiliza anestesia?
  19. Limpeza sem anestesia resolve o mau hálito?
  20. Escovação remove o tártaro que já existe?
  21. Como escovar os dentes do cachorro?
  22. Pode usar pasta de dente humana?
  23. Petiscos dentais resolvem o problema?
  24. Como prevenir o mau hálito?
  25. Quando marcar uma consulta veterinária?
  26. Quando o mau hálito exige atendimento rápido?
  27. FAQ: dúvidas frequentes sobre cachorro com mau hálito
  28. Não espere o mau hálito se transformar em dor

É comum o hálito do cachorro ter um odor característico, especialmente depois das refeições. Porém, um cheiro forte, desagradável e persistente não deve ser considerado normal.

Na maioria das vezes, o cachorro com mau hálito apresenta alguma alteração na boca, como acúmulo de placa bacteriana, tártaro, inflamação da gengiva ou doença periodontal. Também existem outras possibilidades, incluindo dentes quebrados, objetos presos, infecções, tumores orais e, com menor frequência, doenças que afetam outras partes do organismo.

O mau hálito, chamado tecnicamente de halitose, pode ser um dos primeiros sinais percebidos pelo tutor. Mesmo que o cachorro continue comendo e brincando, é importante não ignorar uma mudança evidente no odor da boca.

Mau hálito em cachorro é normal?

Um odor leve e passageiro após comer pode acontecer. O que merece atenção é um hálito que:

  • permanece durante todo o dia;
  • está ficando progressivamente mais forte;
  • reaparece pouco tempo depois da higiene;
  • vem acompanhado de tártaro;
  • surgiu repentinamente;
  • apresenta um cheiro muito diferente do habitual;
  • está associado a dificuldade para comer, salivação ou sangramento;
  • aparece junto de outros sintomas.

O cachorro não precisa ter um hálito completamente sem cheiro. Entretanto, um odor intenso e desagradável geralmente indica que alguma coisa precisa ser investigada.

Segundo a American Veterinary Medical Association, o mau hálito está entre os principais sinais de problemas dentários em cães e gatos.

Qual é a causa mais comum de mau hálito em cachorro?

A causa mais frequente é a doença periodontal, um processo inflamatório provocado pelo acúmulo de placa bacteriana ao redor dos dentes.

A placa é uma película formada por bactérias, restos de alimento e componentes da saliva. Quando não é removida, ela pode mineralizar e formar o tártaro, também chamado de cálculo dentário.

Com o avanço do problema, podem ocorrer:

  1. acúmulo de placa bacteriana;
  2. formação de tártaro;
  3. inflamação da gengiva;
  4. aprofundamento do espaço entre o dente e a gengiva;
  5. infecção dos tecidos ao redor do dente;
  6. perda do osso que sustenta o dente;
  7. mobilidade e perda dentária.

O Manual Veterinário MSD aponta halitose, placa, tártaro, gengiva avermelhada, sangramento, retração gengival e dentes com mobilidade entre os principais sinais da doença periodontal.

Quais sinais indicam doença periodontal?

Além do mau hálito, observe se o cachorro apresenta:

  • tártaro amarelado ou marrom;
  • gengiva vermelha ou inchada;
  • sangramento na gengiva;
  • salivação excessiva;
  • dor ao tocar a cabeça;
  • preferência por alimentos mais macios;
  • dificuldade para mastigar;
  • mastigação utilizando apenas um lado da boca;
  • comida caindo enquanto mastiga;
  • recusa de brinquedos;
  • dentes quebrados, escurecidos ou com mobilidade;
  • retração da gengiva;
  • secreção próxima aos dentes;
  • inchaço no rosto;
  • redução do apetite;
  • irritação ou mudança de comportamento.

Alguns cães continuam comendo mesmo sentindo dor. Por isso, o apetite preservado não descarta um problema odontológico.

Os cães também podem esconder desconforto oral. Mudanças discretas, como demorar mais para comer ou deixar de brincar com objetos duros, podem ser importantes.

Tártaro e doença periodontal são a mesma coisa?

Não exatamente.

O tártaro é a placa bacteriana que se tornou mineralizada e aderiu à superfície dos dentes. A doença periodontal é a inflamação e a destruição dos tecidos responsáveis por sustentar os dentes.

Um cachorro pode ter tártaro visível e já apresentar alterações abaixo da gengiva. Ao mesmo tempo, a quantidade vista pelo tutor nem sempre revela a verdadeira gravidade do problema.

Grande parte da doença periodontal acontece em regiões que não podem ser avaliadas apenas observando a parte externa dos dentes. Por isso, dentes aparentemente pouco sujos não garantem que raízes, gengivas e estruturas internas estejam saudáveis.

Cachorro jovem pode ter mau hálito?

Sim. Embora a doença periodontal seja mais frequente em cães adultos e idosos, animais jovens também podem apresentar halitose.

Entre as possíveis causas estão:

  • troca dos dentes;
  • permanência de dentes de leite;
  • dentes muito próximos;
  • má posição dentária;
  • restos de alimento presos;
  • gengivite;
  • fratura de dente;
  • corpo estranho;
  • hábito de ingerir fezes ou lixo;
  • feridas na boca;
  • infecção;
  • alterações congênitas.

Durante a troca da dentição, pode ocorrer uma mudança temporária no hálito. No entanto, cheiro muito forte, sangramento persistente, dor, inchaço ou dificuldade para comer não devem ser atribuídos automaticamente ao nascimento dos dentes permanentes.

Raças pequenas apresentam mais problemas dentários?

Cães de qualquer raça podem desenvolver doença periodontal, mas animais de pequeno porte frequentemente apresentam maior predisposição.

Isso pode acontecer porque eles possuem dentes relativamente grandes em uma boca pequena, favorecendo dentes próximos, sobrepostos ou com pouco espaço entre si.

Entre os animais que precisam de atenção especial estão:

  • cães de raças pequenas;
  • cães braquicefálicos;
  • animais com dentes desalinhados;
  • cães que mantiveram dentes de leite;
  • animais sem rotina de higiene bucal;
  • cães idosos;
  • animais com doenças que afetam a imunidade.

A predisposição não significa que o problema seja inevitável. A prevenção e o acompanhamento veterinário podem reduzir bastante a progressão da doença.

O mau hálito pode ser causado por um dente quebrado?

Sim. Um dente fraturado pode expor suas estruturas internas, permitindo a entrada de bactérias e o desenvolvimento de inflamação ou infecção.

Os possíveis sinais incluem:

  • mudança na cor do dente;
  • parte do dente ausente;
  • ponto escuro ou avermelhado no centro;
  • dor ao mastigar;
  • recusa de alimentos duros;
  • salivação;
  • inchaço próximo ao focinho;
  • mau hálito;
  • sensibilidade ao tocar a cabeça.

Não tente movimentar o dente ou explorar a fratura com objetos. Além de aumentar a dor, o cachorro pode reagir e morder.

Dentes quebrados precisam de avaliação mesmo que o animal continue comendo normalmente.

Objetos presos na boca podem causar mau hálito?

Podem. Fragmentos de ossos, madeira, tecido, linhas, pelos, pedaços de brinquedos e restos de alimento podem ficar presos:

  • entre os dentes;
  • no céu da boca;
  • ao redor da língua;
  • sob a gengiva;
  • na parte posterior da boca.

Além de provocar mau hálito, o objeto pode causar dor, inflamação, infecção e dificuldade para engolir.

Observe sinais como:

  • tentativa de colocar a pata na boca;
  • movimentos repetidos de mastigação;
  • salivação intensa;
  • engasgos;
  • dificuldade para fechar a boca;
  • recusa alimentar;
  • sangue na saliva;
  • inquietação;
  • início repentino do mau hálito.

Não puxe linhas, fios ou objetos profundamente presos. Eles podem estar envolvidos em estruturas delicadas ou continuar em direção à garganta. Procure atendimento veterinário.

Feridas e inflamações na boca também alteram o hálito?

Sim. Inflamações na gengiva, língua, bochechas e outras regiões da cavidade oral podem produzir odor desagradável.

Essas alterações podem estar relacionadas a:

  • trauma;
  • substâncias irritantes;
  • queimaduras;
  • infecções;
  • alterações imunológicas;
  • doenças metabólicas;
  • presença de corpo estranho;
  • contato com plantas ou produtos tóxicos.

Feridas na boca costumam provocar dor, salivação, dificuldade para mastigar e redução do apetite.

Não aplique antissépticos, pomadas ou medicamentos humanos. Alguns produtos podem ser tóxicos quando ingeridos pelo cachorro.

Tumores na boca podem provocar mau hálito?

Sim. Tumores orais podem causar mau hálito, principalmente quando lesionam os tecidos ou dificultam a mastigação e a higiene natural da boca.

Outros possíveis sinais incluem:

  • aumento de volume na gengiva ou no céu da boca;
  • assimetria no rosto;
  • sangramento;
  • salivação;
  • dificuldade para comer;
  • dentes se movimentando sem causa evidente;
  • perda de peso;
  • dor ao abrir a boca;
  • caroço próximo à mandíbula;
  • secreção nasal, especialmente de um único lado.

Nem todo aumento de volume é câncer. Existem alterações benignas, inflamações, abscessos e diferentes tipos de lesão. Somente a avaliação veterinária, eventualmente acompanhada de exames de imagem e biópsia, consegue determinar a causa.

Mau hálito pode indicar doença nos rins?

Pode, especialmente quando a doença renal está mais avançada.

Quando os rins não conseguem eliminar adequadamente determinadas substâncias, elas se acumulam no sangue e podem modificar o odor do hálito. Alguns cães também desenvolvem feridas na boca, náusea e perda de apetite.

Possíveis sinais associados incluem:

  • aumento da ingestão de água;
  • aumento ou redução da quantidade de urina;
  • perda de apetite;
  • emagrecimento;
  • vômitos;
  • fraqueza;
  • desidratação;
  • feridas na boca;
  • hálito com odor incomum.

Não é possível confirmar doença renal pelo cheiro. Exames de sangue, urina, pressão arterial e, em alguns casos, ultrassonografia são necessários para investigar o funcionamento dos rins.

Diabetes pode alterar o hálito do cachorro?

Pode. Cães com diabetes podem apresentar aumento da sede, aumento da urina, perda de peso e mudanças no apetite.

Quando ocorre uma complicação grave chamada cetoacidose diabética, o hálito pode adquirir um cheiro diferente, às vezes descrito como adocicado ou semelhante a frutas ou acetona.

Procure atendimento rapidamente se o odor diferente estiver acompanhado de:

  • vômitos;
  • fraqueza;
  • prostração;
  • desidratação;
  • respiração alterada;
  • falta de apetite;
  • perda de peso;
  • aumento intenso da sede e da urina.

O cheiro do hálito não confirma diabetes. A doença precisa ser diagnosticada por avaliação clínica e exames laboratoriais.

Doenças no fígado podem causar mau hálito?

Alterações hepáticas graves também podem modificar o odor do hálito, embora sejam uma causa menos comum do que os problemas odontológicos.

Outros sinais podem incluir:

  • perda de apetite;
  • vômitos;
  • diarreia;
  • emagrecimento;
  • fraqueza;
  • aumento do abdômen;
  • alteração na cor dos olhos, pele ou gengivas;
  • mudança de comportamento;
  • desorientação.

Quando o cachorro apresenta mau hálito junto de sinais gerais de doença, a investigação não deve ficar limitada aos dentes.

O cheiro do hálito revela qual é a doença?

Não. Algumas características do odor podem levantar suspeitas, mas não permitem determinar a causa com segurança.

Característica percebidaPossibilidades que podem ser investigadas
Odor forte com tártaro visívelGengivite ou doença periodontal
Cheiro de alimento deterioradoRestos presos, infecção ou doença periodontal
Odor iniciado repentinamenteCorpo estranho, dente quebrado, ferida ou ingestão de algo
Cheiro adocicado ou semelhante a acetonaAlteração metabólica, incluindo complicação do diabetes
Odor incomum acompanhado de vômitos e muita sedeDoença renal, diabetes ou outro problema sistêmico
Odor com sangramento ou aumento de volumeDoença periodontal, trauma, infecção ou tumor oral

Essas associações servem apenas como pistas. Tentar diagnosticar a doença pelo cheiro pode atrasar o atendimento correto.

Mau hálito vem do estômago?

É possível que alterações digestivas interfiram no hálito, mas a maior parte dos casos persistentes tem origem na própria boca.

Problemas dentários são muito mais comuns do que uma suposta “má digestão”. Refluxo, vômitos frequentes, alterações no esôfago e outros distúrbios gastrointestinais podem contribuir para o odor, mas precisam ser investigados junto dos sinais apresentados pelo animal.

Se o cachorro tem mau hálito, começar apenas com remédios para o estômago sem examinar a boca pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico.

Comer fezes causa mau hálito?

A ingestão de fezes, conhecida como coprofagia, pode causar um odor temporariamente desagradável. Porém, se o cheiro permanece mesmo quando o cachorro não teve acesso a fezes, é necessário considerar outras causas.

A coprofagia pode estar relacionada a:

  • comportamento exploratório;
  • acesso frequente a fezes;
  • hábito aprendido;
  • busca por atenção;
  • ansiedade;
  • ambiente pouco estimulado;
  • fome;
  • alimentação inadequada;
  • alterações digestivas ou metabólicas.

Punir o animal pode aumentar a ansiedade e fazer com que ele tente ingerir as fezes mais rapidamente. O ideal é impedir o acesso, recolher as fezes, revisar a rotina e conversar com o veterinário quando o comportamento for frequente.

O que o veterinário avalia?

A consulta começa com perguntas sobre o histórico e um exame físico completo.

O veterinário poderá investigar:

  • quando o mau hálito começou;
  • se o odor é constante;
  • como está o apetite;
  • se houve mudança na mastigação;
  • quando foi realizada a última avaliação odontológica;
  • como é feita a higiene bucal;
  • quais alimentos e petiscos são oferecidos;
  • se o cachorro mastiga ossos ou objetos rígidos;
  • se existem vômitos;
  • se houve perda de peso;
  • como estão o consumo de água e a urina;
  • quais medicamentos o animal utiliza;
  • se existem outras doenças.

A boca pode ser examinada inicialmente com o cachorro acordado, desde que isso seja seguro. Entretanto, essa avaliação possui limitações, pois não permite examinar completamente todas as regiões e estruturas abaixo da gengiva.

Dependendo do caso, podem ser recomendados:

  • exame odontológico completo;
  • radiografias dentárias;
  • limpeza profissional;
  • exames de sangue;
  • exame de urina;
  • ultrassonografia;
  • avaliação de uma massa oral;
  • coleta de material;
  • biópsia.

Por que a limpeza dentária veterinária utiliza anestesia?

Uma avaliação odontológica completa exige que o animal permaneça imóvel, sem dor e com as vias respiratórias protegidas.

A anestesia permite:

  • examinar todas as superfícies dos dentes;
  • avaliar a região abaixo da gengiva;
  • medir possíveis bolsas periodontais;
  • realizar radiografias dentárias;
  • remover placa e tártaro acima e abaixo da gengiva;
  • polir os dentes;
  • tratar dentes doentes;
  • realizar extrações quando necessárias;
  • proteger o cachorro contra dor e estresse durante o procedimento.

A AVMA e o American Veterinary Dental College não recomendam raspagens sem anestesia, pois elas não possibilitam a limpeza e a inspeção adequadas abaixo da gengiva, região em que boa parte da doença periodontal se desenvolve.

Antes do procedimento, o veterinário avalia o estado geral do paciente e poderá solicitar exames para planejar a anestesia com segurança.

Limpeza sem anestesia resolve o mau hálito?

Não é considerada um tratamento odontológico completo.

A raspagem apenas da parte visível pode deixar os dentes aparentemente mais claros, mas não trata adequadamente as áreas abaixo da gengiva. Também não permite realizar radiografias ou avaliar com precisão raízes e estruturas de sustentação.

Além disso, remover o tártaro visível não resolve sozinho dentes fraturados, infecções, bolsas periodontais ou perda óssea.

O objetivo do tratamento não deve ser apenas melhorar o cheiro ou a aparência. É necessário identificar e tratar a causa.

Escovação remove o tártaro que já existe?

Não. A escovação ajuda a remover placa bacteriana e prevenir a formação de novos depósitos, mas não consegue retirar com segurança o tártaro mineralizado que já está aderido aos dentes.

Não raspe o tártaro em casa com instrumentos. Essa tentativa pode:

  • machucar a gengiva;
  • fraturar o dente;
  • lesionar o esmalte;
  • causar dor;
  • provocar sangramento;
  • aumentar o risco de mordida;
  • deixar partes do problema sem tratamento.

Quando existe tártaro significativo, o cachorro precisa ser examinado para determinar se a limpeza profissional é necessária.

Como escovar os dentes do cachorro?

A escovação deve ser introduzida gradualmente e de maneira positiva.

Uma adaptação possível inclui:

  1. acostumar o cachorro a receber carinho próximo ao focinho;
  2. tocar suavemente a parte externa dos lábios;
  3. apresentar o creme dental veterinário;
  4. tocar os dentes com o dedo ou uma gaze, quando orientado;
  5. introduzir uma escova adequada;
  6. aumentar o tempo aos poucos;
  7. recompensar o comportamento calmo.

Não force a boca e interrompa se houver dor, sangramento intenso ou tentativa de mordida. Um cachorro com doença odontológica pode sentir muito desconforto durante a escovação.

A higiene em casa deve começar ou ser retomada conforme a orientação veterinária, principalmente quando já existe inflamação.

Pode usar pasta de dente humana?

Não. Cremes dentais humanos não são formulados para serem engolidos pelos cães. Alguns produtos podem conter ingredientes inadequados ou tóxicos para animais.

Também não utilize por conta própria:

  • bicarbonato;
  • água oxigenada;
  • enxaguante bucal;
  • álcool;
  • óleos essenciais;
  • carvão;
  • limão;
  • vinagre;
  • sprays humanos;
  • pastilhas;
  • medicamentos;
  • receitas caseiras.

Utilize somente produtos desenvolvidos para cães e indicados por um veterinário.

Petiscos dentais resolvem o problema?

Petiscos, dietas, aditivos e brinquedos odontológicos podem auxiliar na prevenção, mas não substituem a escovação nem tratam uma doença já instalada.

A escolha deve considerar:

  • tamanho do cachorro;
  • força da mordida;
  • condição dos dentes;
  • risco de engolir pedaços;
  • quantidade de calorias;
  • presença de outras doenças;
  • composição do produto.

Produtos excessivamente duros podem provocar fraturas dentárias. Ossos, chifres, cascos e objetos rígidos não são alternativas seguras apenas porque o cachorro consegue mastigá-los.

O Veterinary Oral Health Council mantém uma lista de produtos que receberam seu selo após avaliação de evidências relacionadas ao controle de placa ou tártaro. Mesmo esses produtos precisam ser utilizados conforme o porte e a condição de saúde do animal.

Como prevenir o mau hálito?

As principais medidas preventivas incluem:

  • escovar os dentes regularmente;
  • utilizar creme dental próprio para cães;
  • iniciar a adaptação desde filhote;
  • realizar avaliações odontológicas periódicas;
  • observar a gengiva e os dentes;
  • procurar atendimento ao notar alterações;
  • utilizar produtos odontológicos recomendados;
  • evitar objetos excessivamente duros;
  • controlar doenças como diabetes;
  • oferecer alimentação adequada;
  • manter consultas preventivas;
  • não esperar o cachorro parar de comer.

A frequência da limpeza profissional não é igual para todos. Ela depende da idade, do porte, da anatomia da boca, da velocidade de formação do tártaro e dos cuidados realizados em casa.

Quando marcar uma consulta veterinária?

Agende uma avaliação se o cachorro apresentar:

  • mau hálito persistente;
  • tártaro visível;
  • gengiva vermelha ou inchada;
  • sangramento na boca;
  • dente quebrado ou escurecido;
  • salivação excessiva;
  • dificuldade para mastigar;
  • alimento caindo da boca;
  • redução do apetite;
  • sensibilidade ao tocar o rosto;
  • mudança de comportamento;
  • aumento de volume na boca;
  • mau hálito que reaparece depois do tratamento;
  • cheiro diferente acompanhado de muita sede ou perda de peso.

Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores são as chances de controlar o problema antes que exista dor intensa, infecção ou perda dentária.

Quando o mau hálito exige atendimento rápido?

Procure atendimento com urgência quando houver:

  • dificuldade para respirar;
  • dificuldade para engolir;
  • sangramento intenso;
  • inchaço repentino no rosto;
  • suspeita de objeto preso;
  • incapacidade de fechar a boca;
  • dor intensa;
  • recusa de água;
  • vômitos repetidos;
  • fraqueza ou prostração;
  • desorientação;
  • mau hálito associado a aumento intenso da sede e da urina;
  • cheiro adocicado ou semelhante a acetona acompanhado de mal-estar;
  • suspeita de contato com substância tóxica.

Não force a abertura da boca de um cachorro com dor ou dificuldade respiratória. Transporte-o com cuidado e avise a clínica antes de chegar.

FAQ: dúvidas frequentes sobre cachorro com mau hálito

Todo cachorro com mau hálito tem tártaro?

Não. Tártaro e doença periodontal são as causas mais frequentes, mas dentes quebrados, objetos presos, inflamações, tumores e doenças sistêmicas também podem provocar halitose.

Mau hálito em cachorro idoso é normal?

Não deve ser considerado consequência inevitável da idade. Cães idosos apresentam maior risco de doença periodontal e outras alterações de saúde, mas precisam ser avaliados e tratados.

O cachorro pode ter dor de dente mesmo continuando a comer?

Sim. Muitos cães adaptam a mastigação, engolem os alimentos com pouca trituração ou continuam comendo apesar da dor. Alterações discretas na velocidade ou no lado utilizado para mastigar podem ser relevantes.

Ração seca limpa os dentes?

A ração seca comum não substitui a escovação. Algumas dietas odontológicas possuem formato e composição específicos para auxiliar no controle da placa ou do tártaro, mas devem ser escolhidas conforme orientação profissional.

Dar cenoura melhora o hálito?

A cenoura não trata doença periodontal nem remove tártaro aderido. Mesmo que ajude momentaneamente no odor, o mau hálito persistente precisa ter sua causa investigada.

Posso usar spray para mau hálito?

Somente produtos próprios para cães e recomendados pelo veterinário. Sprays podem disfarçar temporariamente o cheiro sem tratar a causa.

De quanto em quanto tempo o cachorro precisa fazer limpeza dentária?

Não existe um intervalo único. Alguns cães acumulam tártaro rapidamente e precisam de acompanhamento mais frequente. A necessidade deve ser definida após avaliação odontológica.

Mau hálito depois de comer algo desagradável é preocupante?

Se o odor desaparecer em pouco tempo e o cachorro permanecer bem, pode ter sido passageiro. Procure atendimento se o cheiro persistir ou se houver vômitos, salivação, dor, engasgos ou suspeita de substância tóxica.

Posso começar a escovar quando existe sangramento?

O sangramento pode indicar gengivite ou outro problema oral. Antes de insistir na escovação, procure avaliação veterinária para evitar dor e agravamento da lesão.

O mau hálito pode voltar depois da limpeza?

Pode. A placa bacteriana volta a se formar, por isso a higiene em casa e as reavaliações são importantes. O retorno rápido também pode indicar que existe uma causa que ainda precisa ser investigada.

Não espere o mau hálito se transformar em dor

O mau hálito persistente não é apenas uma questão de cheiro. Ele pode ser o primeiro sinal de doença periodontal, infecção, fratura dentária ou outra alteração que esteja causando desconforto silencioso.

A equipe da Clínica Veterinária Bicho Diferente pode examinar a boca do seu cachorro, avaliar a saúde dos dentes e da gengiva e investigar possíveis doenças sistêmicas. Se você percebeu mudança no hálito, tártaro, dificuldade para mastigar ou qualquer outro sinal, agende uma avaliação para identificar a causa e proteger a saúde do seu pet.

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